sábado, 5 de dezembro de 2009

queijo resolve qualquer prato




Ontem eu assisti o filme Julie & Julia e gostei bastante. A história da Julie me lembrou minha amiga Maria Luiza e até cheguei a ligar para ela durante o filme e prometi dar uma cópia para minha cozinheira favorita. É o meu presente de natal pra ela.

Admito que nunca fui fã de cozinha, simplesmente porque cozinhar, por mais gostoso e saudável que seja, também remete à sujeita das louças. E o Restaurante Universitário sempre foi uma pedida mais barata, depois que me tornei uma estudante da UFSM (o que não foi bom lembrar, já que dentro de um mês não terei vínculo com essa universidade e o futuro é incerto e e e e e e). Mas ultimamente tenho me aventurado na cozinha, e especialmente as carnes, as massas e os molhos estão ficando bem gostosos. Me gabo que não uso sal e que sal, acima de tudo, não é tempero. Ouvi isso em algum lugar.

Hoje eu fui para a cozinha pensando no que ia fazer, e resolvi tentar uma experiência: um pouco de tudo. Cortei dois bifes de carne de gado, não grandes e sim pequenos, em pedaços. Coloquei na frigideira azeite de oliva, ervas finas, manjericão e pimenta. Acrescentei a carne e deixei cozinhar. Coloquei extrato de tomate, milho, quatro champignon inteiros e um ovo.


Estava mexendo, com um baita medo de acabar queimando. A carne não fritava, e eu realmente não queria comer nada cru. Acrescentei queijo, porque tudo com queijo fica bom: para mim é como a cereja do bolo. Provei o molho e ‘’’bãe’’, tava tri bom. Para quem não acredita que eu não me remeti ao velho e enjoativo miojo, as fotos estão aqui para comprovar.

Ficou uma delícia e após meia hora eu ainda não morri nem tive uma intoxicação alimentar, o que deve ser um baita sinal. Eis a carinha de satisfação:

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

E Lúcia vai ao cinema

Pintura: "Cabeça de mulata", de Di Cavalcanti

O nome da minha personagem é fictício, entretanto, os fatos que aqui contarei são verídicos.

Era domingo pela manhã e a nossa república, que ainda não é ''coisa pública'', comemorava 120 anos. Por volta das nove horas da manhã, Lúcia estava ansiosa com um ingresso em suas mãos. O filme escolhido por ela, em sua sessão dominical de cinema, foi ''Linha de Passe'', dos diretores Daniela Thomas e Walter Salles.

Foto: Divulgação

Acostumada com a lida no campo, já que é agricultora, Lúcia foi à cidade do Rio de Janeiro pela primeira vez. Ao entrar no Cine Odeon, no centro da cidade e no coração da Cinelândia, com certeza seu olhar brilhou, assim como costuma fazer os olhos de uma criança curiosa e vislumbrada. Eram mais de 400 lugares e o teto apresentava uma decoração do início do século XX que era incrível. Os olhos de Lúcia tinham motivos para brilhar. Assim como os meus.

Teto do Cine Odeon

Sentou-se numa cadeira, que fora reformada e forrada com um tecido vermelho, no fundo do cinema, de certo para ter uma visão melhor da maior tela que já havia visto. Assistiu a um filme que não apresentava soluções nem um mundo que não existe. ''Linha de Passe'' focava os problemas de cinco personagens de uma mesma família, cada um sofrendo conseqüências do sistema capitalista na nossa sociedade. Também falava como os quatro filhos da Dona Cleusa tinham que se virar sem nenhuma mesada.

Foto: Divulgação

Não falava sobre vampiros, lobisomens e moçoilas indecisas sobre qual ''mundo irreal'' escolher, e também não tinha o apelo comercial que causou esse frenesi consumista que percebemos na pré-estréia do filme ''Lua Nova'' em Santa Maria.

Ao final do filme, enquanto muitos estavam às lágrimas, Lúcia foi chamada ao palco. Suas mãos procuravam segurança nas poltronas que estavam a sua frente, suas pernas tinham passos curtos e seu vestido floreado movimentava-se com seu caminhar. Lúcia, agricultora, mulata e nordestina, foi ovacionada por mais de 250 pessoas, especialmente por João Pedro Stédile e o próprio diretor do filme, Walter Salles. O motivo? Além de ser seu aniversário, Lúcia escolheu como presente ir ao cinema. Mas não como dizem por aí: pegar um cineminha para espantar o tédio do cotidiano.

Lúcia foi ao cinema pela primeira vez. E foi extremamente felizarda na escolha do filme.

*Escrevi este texto e o enviei para a sessão dos leitores do jornal Diário de Santa Maria. Duas semanas se passaram, e acredito que outros comentários foram julgados mais urgentes/necessários. Ainda bem que existem os blogs, se não nos publicam, eu envio o texto para o mundo cibernético. Ele se torna não mais minha criação..e acaba sendo de quem o ler.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o motivo da ausência. um breve adeus à Academia

Lucemar de Souza


É o que me tira o sono, me tira o tempo com os amigos, com o namorado, com a família e comigo. É o fim de uma etapa que eu quero que acabe logo e, ao mesmo tempo, tenho medo do que vem depois dela. Então não sei dizer ao certo o porquê da minha insônia, se é por causa do presente ou por causa do que vem vindo, além da chuva. Dilúvio em Santa Maria. Quando criança, naquele gravador azul e vermelho, eu e meu irmão costumávamos gravar a chuva para dormirmos melhor. A chuva, hoje, ao contrário, me desperta e o seu gotejar na soleira da porta do vizinho alimenta minha atenção, os raios que teimam em dançar no céu escuro não me aninham mais aos cobertores. De duas uma, ou eu cresci e não sou mais criança, ou os métodos para dormir agora vêm em caixas farmacológicas. A solução? Fechar os olhos na escuridão deste quarto abafado e cheirar o não cheiro do ambiente; simplesmente ritmar ao gotejar dos pintos à digitação dos pensamentos. O quanto são de outros e o quanto são de mim, é algo que meu orgulho tende a não responder. Depois que tudo isso acabar, e me refiro a ver as mais de cem páginas encobertas por uma capa dura azul com escritos em dourado, eu vou dormir dois dias. Só dois. Me tornarei analfabeta digital por mais sete. Darei aulas de História para minha querida turma no Pilar por mais duas semanas. Farei 24 anos. Depois é depois. E é o que há de vir. E se não for daquele jeito, será de outro...



RESUMO



Monografia de Conclusão de Curso

Curso de História

Centro de Ciências Sociais e Humanas

Universidade Federal de Santa Maria


A IMPRENSA EM PAUTA: O JORNAL ‘’A FEDERAÇÃO’’ INSERIDO NO CONTEXTO DO PERIÓDICO POLÍTICO-PARTIDÁRIO


AUTORA: JÚLIA MELLO SCHNORR

ORIENTADOR: ANDRÉ ÁTILA FERTIG

Data e Local da Defesa: Santa Maria, 18 de Dezembro de 2009.


A imprensa ganhou, a partir das discussões da recente historiografia, o status de fonte histórica. No campo de estudos historiográficos da comunicação já se utilizava a História da Imprensa, ou seja, a investigação da história de um veículo de comunicação. Na renovação de fontes, especialmente, houve o estudo da História por meio de conteúdos e discursos presentes em jornais. A partir desta última visão, investigaremos o tema Abolição presente nos editoriais escritos por Júlio de Castilhos no jornal A Federação, ligado ao Partido Republicano Rio-Grandense. Escolhemos o tempo histórico dos anos de 1884 e 1887, visto a intensa propaganda abolicionista escrita por Castilhos nesses dois períodos e veiculada diariamente no jornal A Federação. A partir disso, analisamos o conteúdo dos editoriais, a fim de permear o ideário castilhista e do Partido Republicano Rio-Grandense sobre a Abolição, relacionando-o com a concepção de abolicionismo, raça negra, civilização e progresso.


Palavras-chave: Jornalismo político-partidário; Teorias raciais; Fontes Históricas